A 8 de junho, um sismo de magnitude 7,8 rasgou o fundo do mar ao largo de Sarangani, enviando avisos de tsunami por metade do PacĂfico e colapsando edifĂcios de General Santos a Davao Occidental 4814212224. Pelo menos 41 pessoas morreram, mais de 20.000 foram desalojadas e comunidades inteiras ficaram isoladas por deslizamentos de terra 4512. A causa imediata Ă© bem conhecida: movimento ao longo da Fossa de Cotabato, a mesma falha de subducção que produziu o catastrĂłfico sismo do Golfo de Moro nos anos 70, que matou milhares 411. O que permanece teimosamente obscuro Ă© porque, meio sĂ©culo depois, a mesma ameaça geolĂłgica continua a exigir um tributo humano tĂŁo elevado.
“A Fossa de Cotabato matou milhares nos anos 70. Agora ceifou pelo menos mais 41 vidas. A única variável é quantos morrerão quando voltar a mover-se.”
A Fossa de Cotabato nĂŁo Ă© um risco emergente. É um perigo conhecido e recorrente. O evento do Golfo de Moro — magnitude 8,0, em 1976 — gerou um tsunami que inundou a costa de Mindanao e matou entre 5.000 e 8.000 pessoas. O Phivolcs há muito identificou a fossa como zona sĂsmica principal. Contudo, vários meios relatam que o sismo desta semana está a ser descrito como um dos mais destrutivos a atingir as Filipinas em cinco dĂ©cadas 411 — um enquadramento que revela quĂŁo pouco foi interiorizado do desastre anterior. Os hospitais funcionam agora ao ar livre porque os edifĂcios nĂŁo merecem confiança 5. Escolas e infraestruturas crĂticas estĂŁo danificadas 15. A rede elĂ©ctrica está em baixo em vastas áreas da ilha, com o Departamento de Energia a tentar desesperadamente repor o fornecimento 119. Estes nĂŁo sĂŁo sinais de preparação.
A resposta imediata seguiu o guiĂŁo familiar. Segundo o DSWD, 1.200 famĂlias sĂł em Maasim receberam ajuda de emergĂŞncia 23. O governador Tamayo suspendeu aulas e trabalho em toda a provĂncia de Sarangani; General Santos declarou estado de calamidade 791626282930. Avisos de tsunami foram emitidos e depois cancelados 2225. Mas gestĂŁo de crise nĂŁo Ă© o mesmo que mitigação de risco. A questĂŁo nĂŁo Ă© se as agĂŞncias conseguem mobilizar-se depois do facto — claramente conseguem —, mas porque permanece tĂŁo levemente defendido o mesmo corredor de falha.
Parte da resposta reside na economia do desastre. Mindanao Ă© mais pobre que Luzon, os seus cĂłdigos de construção sĂŁo menos rigorosamente aplicados, a sua infraestrutura mais antiga. A reabilitação exige dinheiro e vontade polĂtica; ambos sĂŁo mais fáceis de reunir em Manila do que no Cotabato provincial. Mas há tambĂ©m uma falha de memĂłria institucional. O tsunami de 1976 recuou da consciĂŞncia nacional há dĂ©cadas. A geração que agora constrĂłi hospitais e escolas em Sarangani nĂŁo o viveu. A fossa, entretanto, nĂŁo se importa com calendários. As zonas de subducção operam em ciclos centenários; o intervalo entre 1976 e 2026 Ă© geologicamente trivial.
As Filipinas situam-se no Anel de Fogo do PacĂfico e nĂŁo tĂŞm falta de experiĂŞncia sĂsmica. Contudo, tratam cada evento como episĂłdico e nĂŁo sistemático. O JapĂŁo, pelo contrário, fez da resiliĂŞncia sĂsmica uma questĂŁo de doutrina de infraestruturas, precisamente porque sabe que o prĂłximo sismo nĂŁo Ă© uma questĂŁo de se mas de quando. Mindanao merece a mesma lĂłgica. A Fossa de Cotabato voltará a mover-se. A Ăşnica variável Ă© quantos morrerĂŁo quando o fizer.

